Era a mesma mais nova sensação de felicidade, de tranquilidade, de vastidão..
26/05/12
sorvetedeflocos
Acredito no poder de um sorvete de flocos numa tarde cinza. Ou era pistache? Era pistache. Mas não importa: Sorvete de Flocos.
domingo, 27 de maio de 2012
sexta-feira, 2 de março de 2012
Não tenho escrito muito. Aliás, não tenho escrito. Já estamos em março e não lembro de ter escrito esse ano. Não tenho tido vontade de organizar pensamentos. Será não tenho tido pensamentos?
Dei pra ter insônia. E quando percebo estou pensando ao invés de dormir. Nada relevante. Tolices. Tolices sem importância têm me deixado acordada.
Será não vou ter mais pensamentos de fazer escrever?
Nem sobre isso tenho pensado.
Pode ser que me preocupe, se ainda demorar, mas por hora, tenho deixado assim, como está.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
O Homem
Ele era assim. Terminado o namoro, fosse qual fosse o motivo, era o início de um pensamento que se apossava dele, vez por outra: Essa história não acaba aqui. E começava a imaginar e investigar vestígios de uma nova futura relação com aquela mesma pessoa. E não era só infelicidade. Devia ser apego. Tinha dificuldade de acreditar no fim - mesmo que ele fosse a única saída possível. Por isso, talvez, imaginava. Imaginava um futuro em que aquelas duas pessoas, apaixonadas um dia, iriam se encontrar de novo, numa situação completamente outra, e aparência completamente outra também, para começar outra história. Colecionava ânsias de novos encontros com as mesmas pessoas outras. Às vezes, ele mesmo assustado, pensava: será mágoa, será o resto do amor ou será desejo de imaginar, em segredo - como toda imaginação -, vários futuros que ele sabia, nunca chegariam. Também tinha uma certa mania de imaginar futuros com pessoas que acabara de conhecer. Podiam ter trocado apenas três frases. Fingia pra si que conhecia as pessoas sem exatamente as conhecer. Era sua diversão preferida quando não tinha lá muita coisa pra fazer ou quando acometido pelo tédio de dias que pareciam não ter sentido algum. Tédio não era o problema, achava até normal. Ainda não sabia se achava normal era esse comportamento tão espontâneo de imaginar. Imaginar tudo. Imaginar tanto. Imaginar o que não se concretizaria no futuro não seria perda de tempo? Essas horas, se somadas, dariam uma infinidade de momentos vazios, entre um intervalo e outro, entre um café e outro. Será era essa a sua maneira de lidar com os fins, mesmo aqueles fins que ainda não tinham se anunciado, pelo único motivo de ainda não existirem? Ele continuava a pensar, ao final de um namoro, que eles se encontrariam de novo e começariam uma nova relação. Porém, a cabo de uns meses, a imaginação daquela nova história, virava lembrança, como virava lembraça também a história real vivida. E as lembranças não eram, enfim, imaginadas. Claro que cada um tem a sua maneira de lembrar - ou de esquecer. De qualquer jeito, depois desse tempo - que não era determinado exatamente por ele, mas por uma parte dele de que não tinha controle e que desconhecia razão - aquela imaginação toda se desgastava, até sumir por completo. Sair da vida dele, definitivamente. E assim, não restava dúvida de que a relação havia terminado. Não sobrava mágoa, raiva, ressentimento, culpa, nem amor. Era um ciclo que se fechava para, quem sabe, começar outro em breve ou dalí há algum tempo, mas não importava.
Ele precisava continuar aquelas histórias inventadas para pôr fim nas histórias reais.
depois da leitura de "A favor do medo" de Clarice Lispector. A Descoberta do Mundo, p. 42,43,44.
10/11/11
Moro num prédio em que não vejo a rua.
Morei 20 anos num outro prédio que era só colocar a cara na janela, e já via pessoas, e se fizesse alguma força, conseguia quem sabe, observar a história delas. Pelo corte de cabelo, pelos sapatos, pelo jeito de andar, de vestir.
E ainda tinha um morro todo verde bem em frente, que eu adorava olhar quando chovia. Sentava no braço do sofá e olhava. Horas.
Nesse não é possível.
Mas vejo a sombra dos carros passando no reflexo de algumas janelas. Também sinto o vento que vem da praia, além das primeiras brisas que anunciam o verão.
Sinto cheiro de verão. Adoro.
Traz uma sensação boa, mas completamente misturada, nostálgica.
É a preparação pra uma nova estação, quem sabe, leve e alegre.
Essa sensação, eu deixo no lugar dela.
No lugar de um mistério que também parece se anunciar, mas que não faço ainda ideia de onde virá.
E o melhor, e o mais raro, e o mais gostoso é que não tenho pretensão nenhuma de saber - quando se anuncia pra mim o verão.
Raro por ser uma sensação que não me causa ansiedade.
Só esperança.
E calma e uma alegria leve, que anuncia ventos novos.
Olho o reflexo dos carros, sinto a brisa e vejo pessoas e histórias dentro de outras janelas.
Gosto.
10/11/11
domingo, 25 de setembro de 2011
“Somos incompatíveis”. Essa frase
me soou quase como uma morte. E isso é fim. O que fazer com a
incompatibilidade? Há o que se fazer? Não. Por isso era morte. Pq tb contra ela
não havia nada a se fazer. E a morte sempre me chocou, a princípio. E ainda me
choca, a princípio. E vai me chocar sempre, acho, a princípio. Mas quando ela
se distancia ou quando a gente, de alguma maneira, se distancia dela, ou talvez
isso seja a mesma coisa, o peso que a gente dá a principio passa tb. Ameniza. E
a longo prazo (pra mim a longuíssimo prazo, pois que muito infelizmente, os
meus processos são lentos, lamentos) fica até leve. Ah, a morte leve! Que
incompatibilidade, eu, logo eu, dizer da leveza da morte. Achar, igualmente
leve, a incompatibilidade. E o princípio demora, demora. E simplesmente
demoradamente passa.
Para minha irmã com todo o amor do mundo e com toda a
incompatibilidade da vida.
(Passa. E ainda é morte e ainda é incompatibilidade. E vai
ser sempre. E vai ser sempre mais leve. A longo prazo).
13/09/11
Tentava parar. Sempre que vinha à
lembrança, tentava esquecer, pensar em outra coisa, fugir da questão. Às vezes,
até conseguia, mas noutras perdia era tempo nesse exercício diário que é largar
um hábito, um vício. Quando a vontade era muita, me permitia, só por aquele
dia. Porém, o amanhã não chegava, nunca chegou. Ou chegava, e ia embora no
tempo da próxima mesma promessa.
Não sei mais parar. Achei que saberia
mais uma vez, como sempre soube ou lembrava saber. Mas a lembraça não era a
mesma, tampouco o era a pressa de cumprir promessas.
02/08/11
Esqueci. Não de tudo, pois que
talvez isso não seja ainda possível. De boa parte. Boa aqui, não num sentido de
qualidade, mas de quantidade mesmo. Até poderia dizer: esqueci de boa parte
boa, e diria também de boa ruim. Esquecer é perder?
Dizem que a memória é seletiva.
Mas não se esquece só de lembranças ruins – não são delas que devemos lembrar para que se possa tentar outros
caminhos, que não àquele?
Mas sem motivo e a qualquer hora
do dia, me chegam lembranças de sonhos antigos. Fragmentos de sonhos mesmo,
daqueles que sonhamos dormindo. Me vem à cabeça como lembranças do que vivi.
Até que percebo que são lembranças de sonhos. Como tudo é relativo, minha
memória “seletiva” pode decidir esquecer que determinada lembrança faz parte do
sonho.
Será assim o modo que a memória
tenha achado para realizar sonhos? Será isso seria uma realidade forjada?
E o que a realidade se não isto?
(de uns meses atrás..)
sábado, 23 de julho de 2011
tal e qual
No entanto, a alegria - a força maior.
Experimentar a possibilidade da canção que desde os sons
guturais já lá se fazia. Experimentar o fecho da sinfonia
incompleta que enovela tudo. Experimentar o dia seguinte
e depois e depois e depois. *
Experimentar a cada dia, o dia. E a alegria do
dia seguinte, da sua chegada e
da sua partida, para de novo, e
só então, se inaugurar o outro dia.
* Imagens da biopolítica I: cartografias do horror. André Queiroz. pág. 162-163
Experimentar a possibilidade da canção que desde os sons
guturais já lá se fazia. Experimentar o fecho da sinfonia
incompleta que enovela tudo. Experimentar o dia seguinte
e depois e depois e depois. *
Experimentar a cada dia, o dia. E a alegria do
dia seguinte, da sua chegada e
da sua partida, para de novo, e
só então, se inaugurar o outro dia.
* Imagens da biopolítica I: cartografias do horror. André Queiroz. pág. 162-163
sexta-feira, 22 de julho de 2011
O tema que não me sai da cabeça há semanas, a me perturbar o juízo. Ele volta num abrir de livro, na sala do consultório, numa conversa qualquer. Ele sempre esteve aqui ou eu que só o notei agora?
Onde o limite, desde onde o limite, até onde?
Eis a resposta que só me assalta agora: não existe. Este, o limite.
Se o impomos é para evitar constrangimentos. Mais uma forma de poder, de controle, a forma de limitar, de limitar-se?
Limitações tênues e diárias, como a alegria de Clarice.
Mas o limite é o abismo.
Ultrapassar os limites - limites claros, marcados, limites invisíveis e os nem tanto - é ultrapassar esse abismo.
Talvez a ausência de limite, o não saber o que é um e o que é outro, a precariedade da mistura, do não limitar-se venha da impossibilidade mesma daquela expressão que se queria primeira.
O que confunde é o que não se dá.
A impossibilidade de fazer para saber aonde o fazer leva.
A cisão, esse abismo.
02/07/11
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